Um dia depois de estrear um projeto com reeducandas desenvolvido durante a pandemia, a agente penitenciária Beatriz Gomes da Silva Rossi, de 26 anos, morreu em um acidente no km 54 da Rodovia Bandeirantes, em Jundiaí (SP), na quarta-feira (14).




A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou ao G1 que Beatriz trabalhava havia dois anos na Penitenciária Feminina Sant`Ana, na zona norte de São Paulo. Ela tinha saído do plantão, quando se envolveu na batida com um carro parado na faixa de rolamento.

Ainda segundo a SAP, no mesmo dia do acidente, ela estreou a peça “O casamento de Emília”, no espaço anexo escolar da unidade. O trabalho era desenvolvido por ela com as reeducandas respeitando as medidas de distanciamento. De acordo com a SAP, as reeducandas eram incentivadas a ler como forma de cultura e entretenimento.

No entanto, havia um grupo de mulheres que não tinha bom desempenho na leitura. Outro grupo foi criado para que as presas com facilidade de leitura possam apoiar as que não conseguiam.




Por meio dessas atividades de reforço escolar, eram disponibilizados para leitura livros infantis e paradidáticos. A partir disso, começou a peça teatral.

Ainda conforme a SAP, no começo, os ensaios ocorriam no pátio do pavilhão, mas passaram a ser dentro da ala escolar para a composição do cenário e figurino. Assim, as presas receberam toda a atenção da agente, que assumiu a peça como o narrador na pessoa de Monteiro Lobato.


Outro projeto que a agente desenvolveu durante a pandemia foi “Amarelinha Maluca”. Beatriz era graduada em Educação Física e pretendia fazer as presas praticarem atividade física e permanecerem com a mente saudável.




Acidente

De acordo com a Polícia Rodoviária, Beatriz estava em uma motocicleta no sentido interior da Rodovia Bandeirantes, em Jundiaí, quando bateu em um carro que estava parado na faixa de rolamento por apresentar problemas mecânicos.

De acordo com a Polícia Rodoviária, ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí. Contudo, Beatriz não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã de quinta-feira (15).




“Com carisma, carinho, atenção e capricho, estimulou e ensinou as reeducandas-artistas na tarefa de dar vida aos seus personagens”, ressaltou a SAP.

Fonte: G1.