O sociólogo cearense Antônio Lopes Neto, formado pela Universidade Regional do Cariri, está completando 70 anos e há cerca de 30 está na praça, em Jundiaí. Popular, seu local de trabalho é o Ponto 13, um dos mais antigos da cidade na esquina da Rua Siqueira de Moraes com a Barão de Jundiaí.

O sociólogo Antônio Lopes Neto veio do Ceará há 30 anos e decidiu se profissionalizar como taxista

A história dele, de certo modo, desmente o verso de Luiz Gonzaga: “Quem sai da terra natal em outros cantos não para. Só deixo o meu Cariri no último pau-de-arara”. Ele deixou Nova Olinda, no Vale do Cariri e fincou raízes aqui como taxista e pai de família: tem cinco filhos e cinco netos, dos quais tem muito orgulho. Nesta quarta-feira (8), Dia do Taxista, ele conta os motivos de estar na profissão que não escolheu e comenta sua situação atual.

“Eu não tive muita escolha. Minha vida foi de lugar em lugar, de lado em lado. Nunca tive uma profissão definida a não ser professor. Aqui tive que procurar uma profissão onde ganhasse mais para ter condição de formar os meus filhos”, conta ele, que entre outras coisas foi perseguido na década de 1960 pelo regime militar e autor do Movimento Separatista do Nordeste.

Na avaliação de Toninho, como é chamado pelos amigos e colegas de praça, as atividades com o táxi começaram a agonizar e deixar de existir, como antigamente, a partir do momento em que surgiram as facilidades com a internet, as redes sociais e mais recentemente o WhatsApp.

Toninho tem boas lembranças do tempo em que os taxistas eram valorizados – tempo em que não havia os celulares e os clientes ligavam para o telefone fixo do ponto. “Havia uma relação com as famílias. As mães, os pais, confiavam o filho ao taxista que ia buscar as crianças na escola e também era requisitado para outras tarefas importantes”, conta.




Para ele, até a década de 1990, a profissão era extraordinária e os motoristas tinham orgulho de ser taxistas. “O tempo passou, as coisas mudaram e, infelizmente, taxista não é mais uma profissão. É triste falar, mas hoje ser taxista é sobreviver. A profissão aqui no país dura no máximo dez anos e será substituída pelas novidades que o mundo oferece,”, prevê o taxista. (PFJr.)

(Imagens: Arquivo Pessoal)